Da Bola 38mm à 40+: Guia Completo para Escolher a Sua
Guia de Material · 360TT
A bola é o menor equipamento do tênis de mesa, mas foi ela que mais mudou o jogo nos últimos 25 anos. Trocar de raquete é escolha pessoal. Trocar de bola foi imposição da própria ITTF — e cada mudança redesenhou a forma como se joga em alto nível.
Se você treina há alguns anos, já deve ter ouvido falar em "bola 40mm" e "bola 40+" como se fossem a mesma coisa. Não são. Entender a diferença explica por que aquele saque "impossível de receber" da era antiga hoje é mais controlável — e por que escolher a bola certa muda, na prática, o seu treino.
A era da celuloide 38mm (1900–2000)
A primeira bola oficial de tênis de mesa, de celuloide, com 38mm de diâmetro, foi introduzida em 1900 e praticamente não mudou por 100 anos. Era leve e extremamente responsiva ao giro — a fricção entre borracha e celuloide permitia rotações extremas, e no fim dos anos 90 os profissionais já geravam giros nos limites físicos do que a bola aguentava.
Some a isso outro detalhe da época: o saque podia ser feito escondendo o contato da raquete com a bola. Combinado ao giro extremo, isso tornava o saque quase imbatível — na prática, a maioria dos pontos terminava logo nas 3 primeiras bolas do rally. Resultado: jogo rápido demais, difícil de acompanhar até para quem estava na arquibancada — e a própria ITTF reconheceu isso como um problema para o esporte na TV.
A virada para 40mm (2000–2014)
Em 2000, após os Jogos de Sydney, a ITTF aumentou o diâmetro da bola de 38mm para 40mm — ainda em celuloide — para reduzir a velocidade do jogo e alongar os rallies. Bola maior encontra mais resistência do ar, perde velocidade mais rápido e é menos receptiva a giro extremo.
Mas essa não foi a única mudança da época — e juntas, elas remodelaram o esporte:
2001: fim do sistema de 21 pontos, virando os sets de 11 pontos que conhecemos hoje, deixando as partidas mais dinâmicas.
2002: regra do saque exigindo lançamento vertical mínimo de 16cm e visão livre do contato, acabando com o saque "escondido" da era anterior.
2008: proibição da cola rápida pela ITTF, por conter compostos orgânicos voláteis (VOC) nocivos à saúde.
Cada uma dessas mudanças, isoladamente, parece pequena. Juntas, tiraram do jogo boa parte da vantagem que vinha só do equipamento "turbinado" e devolveram peso à técnica. E, de lambuja, o físico do atleta teve que evoluir — e muito.
A era do plástico: nasce a bola 40+ (2014–hoje)
A bola de celuloide é altamente inflamável — o mesmo material usado no cinema dos primórdios — e isso sempre foi um problema real: incêndios em depósitos, restrições de transporte aéreo cada vez maiores e custos de seguro em alta. A ITTF decidiu substituir o material.
A partir de julho de 2014, todo evento oficial da ITTF passou a usar bolas de plástico (poly/ABS). Como podem ser até 0,5mm maiores que as antigas 40mm de celuloide, ganharam a inscrição "40+" para se diferenciar. Em 2023, a celuloide foi removida oficialmente das regras — hoje toda bola de tênis de mesa é de material plástico.
O efeito no jogo foi real: a fricção entre borracha e plástico é menor que entre borracha e celuloide, e os profissionais relataram inicialmente uma queda de 10 a 15% na capacidade de gerar giro — um número relevante na elite. O esporte reagiu em cadeia:
Borrachas tacky e híbridas, como as da linha DHS Hurricane, praticamente viraram padrão para recuperar parte do giro perdido.
Madeiras com fibra de carbono e miolo mais espesso, como a DHS Fang Bo Carbon B2X e a DHS Hurricane Long 5X, ganharam espaço para compensar a menor resposta da bola com mais potência estrutural na raquete.
O jogador precisou ficar mais atlético. Sem a "ajuda" da bola e da cola rápida, gerar a mesma potência de jogo passou a exigir mais preparo físico real — pernas, tronco e explosão de quadril entraram de vez na equação técnica.
O que significam as estrelas (1★, 2★, 3★)
A classificação por estrelas indica o nível de precisão e consistência da bola — não é sobre "qualidade boa ou ruim", é sobre tolerância de fabricação:
1 estrela: bola de treino, tolerância maior em peso, arredondamento e dureza. Ideal para multibola, robôs e uso intenso no dia a dia.
2 estrelas: intermediária, equilíbrio entre durabilidade e consistência — boa para treino mais sério ou jogo recreativo.
3 estrelas: padrão de competição, aprovada pela ITTF para torneios oficiais, com máxima consistência em peso, arredondamento e dureza.
A DJ40+ da DHS é um bom exemplo de quanto essa seleção pode ser rigorosa: mesmo já dentro da margem que a ITTF permite (peso entre 2,67g e 2,77g, arredondamento com tolerância abaixo de 0,25mm, dureza entre 0,68 e 0,81mm), os lotes mais criteriosos da bola usam apenas uma fração bem menor dessa faixa — quanto menor o percentual usado da margem total, maior a precisão da bola.
Branca ou laranja? A cor não é estética, é regra
A regra da ITTF é direta: a bola só pode ser branca ou laranja, sempre fosca — e a cor principal da roupa do jogador precisa ser claramente diferente da cor da bola escolhida para o jogo. Faz sentido: se a bola e a camisa do adversário forem parecidas, você literalmente perde a bola de vista contra o corpo dele.
Isso é mais relevante hoje do que era há uma década. Durante muito tempo, o padrão nas grandes competições era mesa azul ou verde — hoje o verde praticamente desapareceu de uso, e o preto se firmou como parceiro do azul nos principais eventos da WTT (a mesa DHS W1000, por exemplo, é preta e vem sendo usada desde 2023 em etapas como WTT Grand Smash e Cup Finals). Ou seja: a escolha entre bola branca e laranja não é sobre "qual é mais bonita" — é sobre qual contrasta melhor com a mesa e o fundo de onde você joga ou compete.
Guia de escolha: as bolas DHS que temos na 360TT
Como distribuidor oficial DHS — maior fabricante de bolas do mundo e patrocinadora oficial WTT — trazemos a linha completa, do treino à competição:
| Bola | Estrelas | Indicada para | Observação |
|---|---|---|---|
| Double Circle (branca/laranja) | Treino | Iniciantes, clubes, multibola e robôs | A mais econômica de todas, com qualidade e durabilidade surpreendentes — melhor custo-benefício para treino e multibola |
| D40+ 1★ (branca/laranja) | 1★ | Treino recreativo e uso diário | Ótimo custo-benefício para o dia a dia |
| D40+ 2★ (branca) | 2★ | Treino mais sério e jogos recreativos | Equilíbrio entre preço e consistência |
| D40+ 3★ (branca/laranja) | 3★ | Clube e competições regionais | Padrão de competição com bom custo-benefício |
| DJ40+ 3★ (branca) | 3★ | Competição e jogadores avançados | Bola oficial dos Jogos de Tóquio 2020 e do circuito WTT — renovada como bola oficial da WTT para o ciclo 2021-2028, referência de toque e giro na linha DHS |
| RS40+ 3★ (branca) | 3★ | Competição e jogadores avançados | Também oficial WTT, feita com plástico reciclado (PCR), toque levemente mais rígido e rápido |
| D40+ Dual Color | — | Treino técnico, visualização de efeito | Ajuda a enxergar a rotação da bola durante o treino |
Escolha a bola certa pro seu jogo
Escolher a bola certa não é sobre gastar mais — é sobre casar o nível do seu jogo com a tolerância da bola, e também sobre usar cada modelo de forma inteligente para o seu propósito específico. Se você treina todo dia, a Double Circle ou a D40+ 1★ fazem o trabalho pesado sem gastar seu orçamento à toa. Se está subindo de nível ou já compete, a D40+ 3★ é o próximo passo natural. E se o seu jogo já pede o que há de melhor — em partida de verdade, não em multibola — DJ40+ e RS40+ são as bolas que os melhores do mundo usam.
Ah, se a parede de fundo onde você treina é branca, compre bolas laranja!
Já sabe qual bola combina com o seu jogo?
Confira a linha completa de bolas DHS →HUGO LABBATE GALVAO 27/07/2026
Excelente artigo. Sumarizou a evolução das bolas e seu impacto no jogo. Obrigado por compartilhar.
Autor
Idealizador da 360TT e obcecado por tênis de mesa, café, gatos e aprender. Não necessariamente nessa ordem.