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Sobre Booster - Parte 1

Por Gustavo Auad, técnico ITTF nível 2* – 360TT

No brasileiro de 2020 no RJ, um jovem atleta me perguntou:

Auad, o que é Booster e pra que serve?

Após a explicação, me questionou porque esse tipo de informação não era de conhecimento de todos os mesatenistas, foi aí que resolvi escrever sobre o tema.

Visando deixar o assunto mais claro, algumas informações relevantes:

Definição de Booster: é um óleo que quando aplicado da forma correta e adequada na esponja (e/ou no top sheet, mas esse é um assunto pra outro momento...) de uma borracha de tênis de mesa, expande a mesma tornando-a mais responsiva, em outras palavras, deixando-a mais rápida.

Definição de óleo: São substancias no estado líquido viscoso nas condições ambientais. Os óleos são hidrofóbicos(não misturam-se com água e por isso não existe cola a base d´agua com booster) e lipofílicos(formam mistura homogênea com outros óleos). Podem ter origem: vegetal, animal, mineral ou sintética. No mercado mundial de tênis de mesa, encontramos basicamente dois tipos de booster, os de base mineral e os de base vegetal.

Agora que você já sabe o que é booster, vamos entender a forma de uso. O booster deve ser aplicado na esponja da borracha (pode ser de pino também) e é necessário aguardá-lo agir. Normalmente uma camada de booster leva de 12h a 24h para agir, dependendo de alguns fatores como: viscosidade do booster, origem do booster (vegetal, mineral e etc.), tipo da esponja (porosa ou não) e dureza da esponja. A temperatura ambiente e umidade podem modificar sutilmente o tempo de ação, mas considero esse tempo desprezível.

Bom, sendo bem simplista, se pensássemos somente em usar booster em borrachas novas, o assunto terminaria aqui e a única utilidade seria deixar a borracha mais rápida (um pouco mais macia e lançando a bola mais alta), mas não é bem assim...

A ITTF diz no seu livro de regras: “As borrachas devem ser usadas sem qualquer tratamento físico, químico ou outros.” (ITTF Handbook, rule 2.4.7), e isso torna o assunto polêmico, mas na prática, permite o uso de qualquer borracha constante na LARC que não exceda espessura de 4 mm(com a película de cola) e não libere VOC. O que a ITTF não diz, nem os fabricantes, é que as borrachas europeias e japonesas tensionadas, lançadas a partir de 2007, vêm tratadas com booster de fábrica. Umas mais e outras menos, mas todas têm. Isso muda toda nossa perspectiva de uso do booster.

O booster na esponja, seja ele de fábrica ou aplicado pelo atleta, não dura por toda vida da borracha. Ele é consumido com o uso da mesma (impacto com a bola) e quanto mais forte for seu golpe, mas rápido ele é consumido. Apesar de sempre falarmos de durabilidade do booster em dias ou meses, o correto seria em horas de uso. Na minha prática, baseando-me nas borrachas que vem com mais booster de fábrica, o mesmo é totalmente consumido entre 40h e 50h de uso no máximo, algumas em bem menos tempo.

No Brasil, devido ao dólar alto e os absurdos impostos de importação, as borrachas são bem caras e acabamos usando uma mesma borracha por meses, às vezes até por um ano ou mais. Com isso, depois de algum tempo, todo o booster de fábrica é consumido e a borracha já não possui mais a “tensão” de nova, perdendo boa parte do seu desempenho. Quanto mais booster a borracha recebe na fábrica, mais ela vai perder. Obs.: As borrachas fabricadas no Japão são as que geralmente recebem menos booster na fábrica, consequentemente perdem menos desempenho após o consumo do booster.

Você pode comprovar que as borrachas recebem booster na fábrica pelo cheiro que algumas exalam quando novas e também o quanto elas encolhem de tamanho em relação à madeira ao serem descoladas após algum tempo de uso.

Fazendo um paralelo com uma bicicleta, temos uma roda sólida, geralmente de metal e um pneu de borracha. Para esse pneu funcionar adequadamente, deve ser inflado com uma determinada quantidade de ar. Quando um pneu se esvazia, trocamos o mesmo ou simplesmente repomos o ar perdido? Pois é, pegamos uma bomba e o enchemos novamente, ou levamos a bicicleta num posto de gasolina e calibramos o pneu com a pressão adequada ao uso. Trazendo o exemplo para o tênis de mesa, a raquete é a roda e a borracha o pneu. Quando o ar/booster da borracha “esvazia”, podemos repor o mesmo para devolver a tensão/velocidade de fábrica para essa borracha. Pra mim, esse é o melhor uso do booster e não tem porque ser “ilegal”, muito pelo contrário, deveria ser estimulado por ser uma prática que vai permitir maior vida útil da borracha e consequentemente menor descarte de lixo no planeta.

O booster faz com que a esponja “cresça” pra todos os lados, e como o top sheet não cresce junto, faz com que a borracha envergue para o lado dele.

A ITTF não se preocupa com uso de booster, pois cercou tudo nas duas regras que citei acima: Limite de 4 mm de espessura e não liberar VOC. Muitas borrachas já vêm quase nesse limite máximo de 4 mm, não deixando margem pra aplicação de muito booster, salvo as que não são tensionadas, como as chinesas.

Continua na parte 2...

Gustavo Auad

Técnico ITTF Nível 2*
Treinador principal do clube Ginástico/360TT
Loja virtual: www.360tt.com.br
E-mail: gustavo@360tt.com.br

Este artigo pode ser copiado e distribuído, sempre citando o autor e mantendo o texto original.
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